NOKIA, soluções inovadoras
Júlia Menezes Profeta - Junho 2009
Acredito que todos nós já tenhamos ouvido falar dessa empresa. Simplesmente, a líder disparada de telefones celulares, com 37% de participação no mercado mundial. São cerca de 60 bilhões de faturamento anual, que equivale a 25% do PIB da Finlândia – seu país de sede. Para se ter uma idéia da importância da Nokia na economia desse pequeno país, com a crise mundial, a Finlândia teve 5% de queda em seu PIB por causa do choque no mercado de telefonia celular.
Sua liderança é basicamente explicada pela inovação que permeia toda a organização. Não apenas com produtos inovadores, mas com toda uma maneira diferente de pensar, planejar, estruturar, se comunicar. A Nokia não desenvolve produtos. Como não? Pois é. Ela desenvolve portfolios de soluções. Entendeu que o que ela oferece vai muito além de simples (ok, bastantes complexos) telefones celulares. São soluções para problemas e necessidades que possuímos no dia-a-dia e viremos a ter pela frente. Para se ter sucesso, não basta você colocar na prateleira um item. Ele isolado não agrega valor a quem comprá-lo (estou procurando não utilizar mais o termo “consumidor” – afinal, somos todos pessoas). Assim, a Nokia montou uma estrutura de planejamento de médio-longo prazo, em que são definidos os portfolios de soluções que serão demandados no futuro, significando isso um pacote com celular, acessórios, conteúdos e serviços.
Sem dúvida, a inovação de produto é o carro-chefe, mas o que o acompanha torna-o ainda mais diferenciado. Por exemplo, os novos aparelhos sendo vendidos e desenvolvidos no Brasil vêm já com fone bluetooth e carregador para carro. Isso porque cada vez mais estamos constantemente na rua, dirigindo e gastando muitas horas nos agradáveis congestionamentos. Estamos em um momento em que a sociedade vive a mobilidade e o celular deixou de ser apenas um meio de transferir dados de voz, mas um meio de comunicação completo, ferramente básica para a conexão com o resto do mundo, que nos acompanha 24 horas por dia. Assim, vê-se a evolução dos novos modelos em que a comunicação por voz é um mero detalhe. Os aparelhos são uma compilação de diversos outros, tornando nossa vida mais prática: celular, máquina fotográfica, câmera de vídeo, calculadora, calendário, agenda de contatos, acesso a email, mapas, conectividade com a internet, previsão do tempo, acompanhamento dos vôos em tempo real, GPS. Para citar algumas coisas. Em tudo isso citado percebe-se então que não é mais apenas um aparelho, mas sim um conjunto de soluções, com conteúdos e serviços para nossas necessidades.
Esta é a tendência, mas claro que ainda é uma parcela relativamente pequena do mercado de telefones celulares. Esses são os conhecidos aparelhos profissionais. A segmentação realizada pela Nokia se dá pelo perfil de consumo das pessoas. Independente de sexo, idade etc. São quatro as principais categorias: entry, E series, N series e a série 6. Entry são os aparelhos mais básicos e baratos que podemos encontrar e correspondem a um altíssimo volume. Não se espantem: ele é consumido da classe A até a E, simplesmente por causa do perfil das pessoas – não são fãs de tecnologia, não querem complicação, apenas um aparelho para ligar quando não estão perto de um fixo. Os E series são os profissionais. O outro extremo que corresponde a toda a descrição que fiz acima. Um público bem mais seleto, ligado nas tendências e mudanças sócio-comportamentais. Os N Series são aqueles multimídia, que atendem um público que chega quase ao E series, mas tem um preço um pouco menor, tem o design como grande diferencial. Os modelos iniciados com o número 6, são os modelos médios, que acabam atendendo a uma grande parte do público, que fica entre o entry e o profissional.
É interessante ressaltar aqui, a relevância sócio-econômica que os telefones celulares adquiriram. O ganho obtido com a posse de um celular, é infinitamente maior do que o custo incorrido para sua obtenção. Isso porque é um instrumento de inclusão social e digital, levando a um aumento de produtividade e consequentemente de renda. Tomemos como exemplo um pedreiro, ou uma faxineira, que fazem seus “bicos”. Com o celular, são alcançados facilmente por seus clientes, não precisam se deslocar para oferecer seus serviços ou combinar detalhes, marcar dias e horários, possibilitando a eles agilizar seus processos de venda, usarem de maneira mais efetiva e eficaz seu tempo, e consquentemente adquirirem maior número de trabalhos e terem então suas rendas aumentadas. Acho que os brasileiros entenderam isso. São 156 milhões de linhas no país, com 82% de penetração no país.
Voltando à Nokia, em suas inovações de processo, passaram a utilizar majoritariamente matéria prima reciclada para a fabricação de seus celulares e têm um forte movimento de responsabilidade ambiental focando a reciclagem de aparelhos e bateriais. Alguma coisa precisava ser feita, já que o seu negócio é mantido pelo consumo frequente de novos aparelhos, que rapidamente se tornam obsoletos e são descartados. Se todos nós trocarmos nossos aparelhos anualmente, imagine quanto lixo não será gerado. Mas todos queremos sempre novidades e precisamos fazer alguma coisa com os antigos. Então, compre novos celulares, contudo não jogue os antigos no lixo. Leve-os para serem reciclados e terem seu plástico, resistências, ouro etc utilizados em novos e descolados produtos. Assim, todos ganhamos.
Júlia Menezes Profeta
Diretora Executiva Mundo InNova
14ª edição – junho/2009
