A formula da criatividade
Tenho defendido sistematicamente a tese de que a criatividade é a matéria-prima para a inovação, seja esta caracterizada por mudanças incrementais , seja de ruptura. No primeiro caso, a inovação é mais uma adaptação de algo que já existe e que passa por um processo de aperfeiçoamento contínuo, que os japoneses chamam de kaizen. No segundo, a inovação significa o aparecimento de algo completamente diferente de qualquer coisa já existente, implicando numa verdadeira mudança de paradigma. Tenho defendido sistematicamente a tese de que a criatividade é a matéria-prima para a inovação, seja esta caracterizada por mudanças incrementais
, seja de ruptura. No primeiro caso, a inovação é mais uma adaptação de algo que já existe e que passa por um processo de aperfeiçoamento contínuo, que os japoneses chamam de kaizen. No segundo, a inovação significa o aparecimento de algo completamente diferente de qualquer coisa já existente, implicando numa verdadeira mudança de paradigma.Os especialistas admitem a existência de quatro dimensões da criatividade: pessoa, produto, processo e ambiente. Dessas quatro, porém, sem dúvida a dimensão pessoal é chave, pois é da criatividade das pessoas que dependerá o surgimento de produtos, processos ou ambientes criativos.Admitindo-se como válidas essas duas premissas – a criatividade como matéria-prima da inovação e a dimensão pessoal como ponto de partida para as demais dimensões da criatividade – pretendo neste artigo chamar a atenção para o que é a criatividade.Para tanto, começo esclarecendo o que a criatividade não é.1º) A criatividade não é um dom natural, com o qual algumas pessoas nascem e outras não Þ Todos nós possuímos um potencial criativo a ser desenvolvido, independentemente da personalidade de cada um. 2º) Criatividade não pode ser confundida com magia Þ Isso implicaria em que as pessoas criativas seriam conhecedoras de algum truque ou algo do gênero, inacessível às pessoas comuns. 3º) Criatividade também não é mistério Þ Portanto, nada de imaginar que a fonte da criatividade seja algo misterioso ou secreto. 4º) Criatividade não significa loucura Þ As pessoas criativas não precisam ser ou aparentar ser loucas ou excêntricas.Feitos esses esclarecimentos, seguem-se algumas definições de criatividade, pinçadas na farta bibliografia existente sobre o tema:
Criatividade é uma função inventiva da imaginação criadora.
Criatividade é o processo de desenvolvimento e reorganização da vida subjetiva.
Criatividade é a capacidade de olhar a mesma coisa que todos os outros, mas ver algo diferente nela.
Criatividade é a capacidade de fazer existirem coisas novas ou únicas e que agreguem valor.
Tão ou mais importante do que essas diversas definições, todas elas válidas e plenamente aceitáveis, foi a contribuição de uma das grandes figuras do movimento que permitiu o crescimento e o reconhecimento da importância da criatividade no mundo, Ruth Noller.Essa extraordinária mulher, recentemente falecida, desenvolveu uma fórmula da criatividade, que, embora possa ter provocado inicialmente alguma surpresa – como reduzir algo tão amplo como a criatividade a uma fórmula? –, é hoje aceita e reproduzida por centenas de estudiosos e especialistas.A fórmula é:C = f (Co, I, A)onde:C = Criatividadef = FunçãoCo = ConhecimentoI = Imaginação A = AvaliaçãoRefletindo a respeito desta fórmula, constatamos que o primeiro elemento decorre do que já foi exposto no início deste artigo. A criatividade não é dom, nem mistério, nem magia, nem loucura. É uma área de conhecimento como tantas outras, havendo diversas linhas de pesquisa espalhadas pelo mundo, umas mais voltadas para o plano psicológico, outras para o plano dos negócios, e algumas, mais recentes, voltadas para o plano social. Portanto, criatividade é algo que pode – e deve – ser estudado por qualquer pessoa, já que, entre outros benefícios, ajuda a viver melhor.O segundo elemento da fórmula de Ruth Noller é a imaginação e se constitui, provavelmente, no mais complexo e intrigante dos três e, também, o mais difícil de ser desenvolvido por meio de ensinamentos ou regras. Desenvolver a imaginação é, a meu juízo, algo que depende muito mais de prática e de exercício, o que exige muitas vezes mudança de atitudes e comportamentos pessoais, com a incorporação do hábito de fugir permanentemente à rotina. Sem isso, como seria possível perceber a relevância de tantas coisas extraordinárias se sequer as pessoas se permitem entrar em contato com elas?O terceiro e último elemento é a avaliação que supõe controle das variáveis. Em outras palavras, qualquer pessoa, diante de um problema que envolve diversas variáveis, ao tentar resolvê-lo através da introdução de alguma novidade, precisa saber qual variável está mudando e qual o impacto dessa mudança. Se mudar todas as variáveis simultaneamente, a pessoa pode não ter consciência de qual foi a variável que permitiu a solução – total ou parcial – do problema. Nesse sentido, se estiver diante de um problema complexo, que compreende diversas etapas e variáveis, procure mudar aos poucos, de tal forma que tenha controle do que está acontecendo, compreendendo e valorizando os avanços, mas também percebendo e aprendendo com os eventuais erros e desacertos. -----------------------
Luiz Alberto MachadoEconomista, é vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP.
