Sexta Set 10

Só é inovação se for sustentável

Com este artigo, quero dar início a uma discussão fundamental em se tratando de inovação: sustentabilidade.

Para que buscamos inovação? O que nos motiva a inovar?
Sem dúvida nenhuma, quando isto é intrínseco a nós, é porque simplesmente ficamos cansados daquilo que já existe e procuramos coisas novas, novos desafios, novos rumos a serem trilhados e por aí vai. Mas evidente também é que, em nosso caso de vivência em uma economia ocidental capitalista, inovamos para sermos diferentes, no sentido de alcançarmos vantagens competitivas e, conseqüentemente, resultados superiores à concorrência – nos levando a uma situação mais favorável no mercado, de destaque, de geração de valor aos acionistas e então maior atratividade, para maiores investimentos, que disponibilizarão capital para novas pesquisas e inovações e entrar assim numa espiral ascendente. Haja fôlego!
Retomando um conceito básico de valor. Quando uma empresa está prestes a realizar seu IPO (initial public offering - abertura de capital através de lançamento de ações em bolsa), ela deve passar por todo um processo de análise para uma estimação de seu valor. Ou, quando resolvemos simplesmente investir em algo (até mesmo pensando no lado pessoal), desejamos analisar seu valor. Estes valores, por sua vez, irão muito além do que simplesmente o passado do “objeto” em questão, ou o que foi realizado – mas sim, refletirão as expectativas do futuro. O valor virá com o que pode ser agregado de benefício e retornos positivos no futuro. Ou seja, sua empresa e suas inovações só terão valor real se proporcionarem uma perspectiva promissora de geração sustentável de valor, isto é, ao longo do tempo.
Inovação é, sem dúvida alguma, a palavra chave para a sobrevivência dos negócios e, como vemos ultimamente, da humanidade. No editorial deste mês abordei a questão evolutiva da sociedade humana em seus modos de produção, capital utilizado e o papel protagonista da inovação neste processo. E constatamos um salto sem igual no desenvolvimento econômico neste último século. Mas questiona-se: até que ponto este desenvolvimento econômico, ou melhor, crescimento econômico das potências mudiais, gerou melhora na qualidade de vida da população mundial?
Vivemos em um mundo limitado. Isto é fato. De uma forma ou de outra, o globo inteiro está conectado e vê-se ainda mais claramente com a globalização e as últimas crises, quão intensos são os impactos de uma crise nacional. Não quero discutir a atual crise americana, mas ela evidencia a intensa interligação dos países hoje. Os reflexos são vistos em todos os continentes!
O que quero dizer é que já se foi a época em que cada um se preocupava apenas com estratégias pontuais limitadas à sua organização (seja privada, civil, pública), considerando um mercado receptível a qualquer produto ou serviço, recursos (principalmente os naturais) ilimitados, dentre outras premissas amplamente aceitas entre as décadas de 70 e 90. Continuando com esta mentalidade, estamos fadados à “tragédia dos comuns”(1). O mundo pós-moderno, se assim ainda o podemos chamar hoje, faz com que nos deparemos com questões muito mais abrangentes e complexas.
Nossas ações, nossas inovações devem ser voltadas ao futuro, no sentido de desenvolver condições de nas próximas décadas continuarmos atuando, continuarmos tendo acesso aos recursos findáveis, continuarmos vivendo expostos à luz solar, continuarmos tendo condições de usufruir dos avanços tecnológicos que têm facilitados nossas vidas, simplesmente continuarmos...

É um imperativo transformarmos os desafios globais em oportunidades. Trabalhar as tensões, inclusão e destruição criativas. A inovação é mais uma vez fundamental. Caso não façamos isso, a criação de valor aos nossos acionistas (inclusive, você é um acionista do mundo) ficará comprometida. Os resultados de curto prazo não serão suficientes para suprir as expectativas de crescimento e retorno de longo prazo.
Quero deixar aqui o pontapé para começarmos a tratar dentro da Mundo InNova a inovação frente aos motivadores globais da sustentabilidade, como apresentado por Stuart Hart, e abrir a porta de entrada para o tema do Setor 2 e Meio. A sustentabilidade é uma oportunidade de negócios única. Um caminho para diminuição de custos e riscos, elevação de rendimentos e participação de mercado por meio da inovação. E por sua vez, a inovação sem sustentabilidade, não é inovação - é uma trajetória para a ruína.
Fica aqui a instigação para que os caros leitores acompanhem as próximas edições da revista e entrem de forma direta em contato com estes novos conceitos, que delinearão a evolução da nossa sociedade e o sucesso, ou não, dos nossos negócios.



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Júlia Menezes Profeta
Diretora Executiva - Mundo InNova


(1) Tragédia dos Comuns: conceito do artigo de Garret Hardin, de mesmo título, que vai contra a teoria da mão invisível de Adam Smith, dizendo que o fim de uma sociedade que acredita na liberdade e na qual cada um busca o melhor de acordo com os seus interesses, é a ruína.
É dado o exemplo de pastores que, dividindo a mesma área, procurarão (de acordo com a teoria da utilidade) cada um deles aumentar ao máximo o tamanho de seu rebanho, em um mundo limitado, para maximizar o seu retorno – sua utilidade.

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