Sexta Set 10

Inovação: Crise ou Criatividade ?

A grande questão que sempre enfrentamos é a seguinte: precisamos de tranquilidade e concentração para que possamos ser criativos e inovadores ou o stress e as crises é que nos levam às melhores decisões ? Afinal de contas crescemos ouvindo que a “necessidade é a mãe da criatividade”.

Domenico Di Masi fez grande sucesso há alguns anos atrás com o seu livro “Ócio Criativo”. Mostrou que quando um executivo apenas trabalha e não tem tempo para pensar torna-se um autômato e não consegue inovar. Provou que as melhores idéias vêm quando nosso cérebro está “relaxado” e quando há espaço para que novas idéias cheguem. Quebras de rotina para coisas totalmente fora de nossa pesada agenda diária podem fazer muito pela criatividade. Excelentes idéias podem vir quando estamos à beira de uma piscina, sem fazermos absolutamente nada. Este pode ser o ócio criativo.


Por outro lado vemos grandes idéias surgirem quando há uma crise e uma necessidade premente de resposta. Todo o time de uma companhia é reunido para responder a uma crise e tal qual o fenômeno do raio laser, a concentração de idéias direcionadas para um objetivo único, traz grandes resultados.


Como “escritor de primeira viagem” e fazendo-o como um hobby, tive uma experiência interessante. Já tinha em mente o assunto e a maioria dos capítulos. Depois de vários anos pensando em como daria este passo, a primeira vez que sentei na frente do computador foi um choque: fiquei olhando para aquela tela vazia sem saber como começava a preenchê-la. Todas as idéias que tive por tanto tempo, pareciam que estavam sendo jogadas dentro de um funil entupido – muita coisa para dizer, porém sem saber como começar.


Com o tempo consegui “descarregar” minhas idéias e pensamentos, fazendo-o nas horas vagas. Eu sabia que levaria muito tempo, mas fui avançando com bastante paciência, nos momentos que conseguia. Ás vezes passava de três a quatro meses sem escrever e quando sentava novamente na frente daquela tela branca tinha uma enorme dificuldade em recomeçar. Demorei cerca de quatro anos para escrever cinco capítulos do livro.


Neste ponto, recebi de um amigo, também escritor, uma dica muito interessante: tenha já pronta a estrutura do livro, com os nomes de todos os capítulos. A segunda dica foi crucial: escrever meia hora por dia.


Ao resolver seguir o conselho, pensei que os resultados seriam simplesmente matemáticos, ou seja, escrevendo com mais freqüência terminaria o livro mais rapidamente. Foi aí que descobri um fenômeno muito interessante: a disciplina de escrever todos os dias, mesmo que um pouco, transformou minha mente num processador diário de idéias. Coisas e episódios corriqueiros serviam para alimentar os assuntos e exemplos que eu precisava. Ao chegar a noite, sentia-me ansioso por escrever e passar as idéias vindas durante o dia e nunca mais fiquei em dúvida diante da “famigerada” tela vazia. Conseqüência: levei seis meses para escrever os cinco capítulos restantes.


As idéias fluíram não porque escrevi mais vezes, mas sim porque escrever se tornou um estado de espírito, no qual eu captava tudo o que se passava à minha volta. Diferente de sentar no computador com uma tarefa e tendo que “ reconectar” minha mente onde tinha parado a semanas atrás.


Inovação também é um estado de espírito. Poderemos ter alguns bons resultados em crises, assim como boas idéias poderão vir durante o nosso “ócio criativo”. Mas antes disto precisamos do compromisso pessoal e da disciplina, por que inovar é uma questão de sobrevivência e deve estar em nosso “radar” todos os dias. Nossa mente então trará surpresas emocionantes, pois idéias virão quando menos esperamos, crises serão otimizadas quando a nossa mente já estiver ligada no desafio da inovação e veremos soluções em lugares que menos esperamos.


Em qualquer área que atuemos, é impossível sobreviver sem inovação. Novos produtos, novos processos, aumentos de receita, redução de custos, tudo exige maneiras novas de se encarar velhos problemas. A nossa maneira de atuar em nosso meio profissional também exige inovação constante.


Portanto, caro leitor, que o seu “mind set” seja o de inovar sempre. Ponha isto em suas prioridades diárias. Olhe tudo à sua volta com as lentes ampliadas da criatividade. Não espere pela beirada da piscina ou pela crise. Poderá ser tarde demais...

Danilo Talanskas

É ex- CEO de três multinacionais OTIS Rockwell e GE, além de ser autor do livro Lições de Guerra.

RSS

Coloque seu e-mail: