Segunda Set 06

A Indústria de Venture Capital e Private Equity no Brasil

Tive o privilégio de participar do evento realizado pelo GVcepe (Centro de Estudos de Private Equity da FGV), Endeavor e Gazeta Mercantil em que foram apresentados os resultados da indústria até junho de 2008 junto com o lançamento do Guia GVcepe-Endeavor 2008, em que se fez um levantamento com dados de praticamente 90% das organizações gestoras atuantes neste mercado.
Essa parceria se explica pelo estreito relacionamento existente entre capital de risco e empreendedorismo. Por gerar muitas vezes insegurança em investidores mais conservadores, podemos utilizar em lugar da expressão capital de risco, capital empreendedor. Essa indústria é por si só empreendedora, uma vez que quase a totalidade de seus gestores são empreendedores independentes, não ligados a instituições financeiras, e também porque vem criando alternativas para os investimentos privados que muitas vezes se limitam às empresas listadas em bolsa. Os investimentos em empresas menores, mas promissoras, trazem perspectivas de retornos muito maiores e um crescimento efetivo muito maior, uma vez que o potencial até a maturidade da empresa é muito grande.
Partimos então deste ponto que em geral passa despercebido, de que esta já é uma indústria inovadora por si só e que é composta por pessoas no mínimo inclinadas à inovação e ao risco. Tocando neste quesito, vêem-se atualmente cerca de 1000 profissionais extremamente bem qualificados, com pós-graduações e MBAs na área, atuando.

Comentei por cima no editorial a respeito da crescente participação do Private Equity nas transações empresariais brasileiras. Mais precisamente, em junho de 2007 o capital comprometido equivalia a US$ 16,7 bilhões no país, e nesta mesma data em 2008 este capital já somava US$ 26,65 bilhões. Ou seja, em 1 ano quase US$ 10 bilhões foram investidos. Os IPOs que entre 2005 e 2007 somaram 25, no acumulado 2005-2008 foram de 34, somando operações de R$ 23,7 bilhões no total. A indústria apresenta um crescimento anual em torno de 50% e equivale a 1,71% do PIB nacional. Mas vale ressaltar que, apesar de ter sido um salto tremendo em relação a 2004 (0,6% do PIB), é apenas metade da média mundial. Esses investimentos são ainda apenas uma gota no oceano de demanda por capital.
Os números e indicadores demonstram que estamos atuando em um mundo líquido de capital, numa realidade brasileira não mais tão dependente do capital estrangeiro. O capital interno de investimento hoje chega a praticamente 50% do total, e vê-se cada vez mais a presença de fundos de pensão brasileiros como investidores nesta indústria.

Outra tendência importante que se verifica é a atenção crescente dos gestores ao Venture Capital, em comparação ao Private Equity. No Brasil, 42% do capital comprometido ainda corresponde à participação acionária (private equity), cerca de 23% a fundos balanceados, e nem 4% a Venture Capital e Seed, ou o capital de risco em si, onde os investimentos são realizados nos estágios bem iniciais ainda, na fase embrionária. São investimentos normalmente voltados a empresas de alto grau de inovação e base tecnológica. É uma participação em valor ainda muito pequena, mas já são mais de 100 empresas investidas, frente às 46 de Private Equity. São essas pequenas empresas que se tornarão as grandes em alguns anos e trazem as taxas de retorno mais atraentes, pela capacidade incrível de rápido crescimento.
O que quero ressaltar aqui e atentar os olhos dos leitores é que essa modalidade de investimento não se restringe aos setores intensivos em tecnologia e inovação. O fenômeno dessa indústria crescente é nacional e penetra cada dia mais nas indústrias tradicionais. Em valor dos investimentos, despontam justamente as indústrias diversas e os setores tradicionais, como classificado pela pesquisa divulgada em 1º de dezembro de 2008, no Guia GVcepe-Endeavor 2008. Varejo, alimentos e bebidas e construção civil são os mais significativos, mas são também alvos de investimentos: comunicação e mídia, energia, agronegócios, serviços financeiros, educação, biotecnologia, saneamento, têxtil, químico, siderurgia. Ou seja, as oportunidades existem para todos os setores. É claro que cada fundo tem um foco e por isso cabe a cada negócio buscar o que mais compatível seja. São procurados negócios inovadores, e não necessariamente que se utilizem de tecnologias inovadoras. Negócios com potencial de crescimento em que a gestão da qualidade possa trazer um diferencial ainda maior e torná-lo um sucesso rentável.
Outro fenômeno interessante nesta indústria é a presença dos angels, os investidores-anjos, que são as pessoas físicas. Nos últimos 6 meses houve um crescimento deste segmento de 64%, que equivale hoje a cerca de US$ 9 bilhões. E apesar da crise, as perspectivas de captação para os fundos no próximo ano são de US$ 8,6 bilhões e para os próximos 3 anos, US$ 20,9 bilhões. Isso significa que há muitas oportunidades de investimento e crescimento para aqueles que possuem negócios promissores e se interessam em sócios de altíssimo nível que contribuirão com capital e com a gestão.
Para finalizar, gostaria de explicitar organizações que têm trabalhado para fomentar o empreendedorismo e a inovação, disponibilizando programas de private equity e venture capital, de capacitação, informação e redes que podem agregar muito àqueles que buscam alternativas financeiras para a criação e expansão de seus negócios. São algumas delas o BNDES, a ABDI, ANBID, FINEP e SEBRAE.
Nas próximas edições da Mundo InNova você poderá ter acesso a maiores informações a respeito desses programas e oportunidades existentes, além de acessar as respectivas páginas na internet.


---------------------------------
Júlia Menezes Profeta

RSS

Coloque seu e-mail: