Segunda Set 06

Empresas e o meio ambiente

A relação entre a adequação de uma empresa e o seu ambiente, tendo como conseqüência a probabilidade de sobrevivência e sucesso, tem sido demonstrada e estudada ao longo dos últimos quarenta anos. Contudo, o que tem sido estudado são os mecanismos de competição. Novas dinâmicas tecnológicas, sociais e econômicas estão forçando as firmas a repensarem a forma como elas lidam com as pressões competitivas. Uma das respostas encontradas tem sido a adoção de novas formas organizacionais baseadas em redes, ao invés da forma hierárquica tradicional.


A estrutura em rede traz a vantagem de maior flexibilidade da gestão, o que facilita uma adequação às pressões competitivas. Acessar os recursos, ao invés de possuí-los, permite às firmas se adaptarem de forma rápida e barata ao conjunto de ativos disponíveis. Esse modelo de produção em rede, em contraposição ao modelo hierárquico, permite às firmas adaptarem sua produção rapidamente em termos qualitativos (inovação) e quantitativos (escala). Por outro lado, um novo desafio emerge: a gestão dos relacionamentos. Trata-se de uma problemática que envolve aspectos econômicos, jurídicos, sociais, culturais e mesmo psicológicos.


Defronta-se aqui com o problema clássico de coordenação de ação coletiva. Uma das possíveis lentes para análise dessa questão são as inovações sociais. O conceito se refere a um conjunto de estratégias, idéias e organizações que atendem as demandas sociais de todos os tipos.


Intencionalmente amplo e genérico, o conceito abrange diversos campos do conhecimento, podendo ter definições que variam desde processos de inovação, como open source ou crowdsourcing, até inovações com caráter social, tais como microcrédito ou educação à distância. O foco do conceito de inovações sociais não é tipificar as inovações que emergem ou são desenhadas com o propósito de resolver problemas de ação coletiva.


Sob essa perspectiva, podemos classificar as inovações sociais em quatro dimensões: inovações de mercado, inovações gerenciais, inovações políticas e inovações institucionais.
As inovações de mercado estão associadas tanto à criação de novos mecanismos de facilitação das relações de troca, quanto ao desenvolvimento de novos mercados. As inovações gerenciais estão associadas com novas estruturas de gestão. As inovações políticas estão associadas com novas estruturas de alocação de poder. Acho que o autor quis escrever As inovações institucionais estão associadas com as transformações que levam à mudança de comportamento, podendo ser a mudança tanto nas instituições formais quanto nas instituições informais.


Ainda que teoricamente, com fins didáticos, possamos falar em distintas categorias de inovações sociais, no mundo real essas categorias se sobrepõem e são redefinidas constantemente, podendo ser impossível distinguir as diferenças entre as inovações de mercado e instituições gerenciais ou políticas.


Certamente é notada a ausência da menção à inovação tecnológica. A despeito da sua importância per se, estas são freqüentemente acompanhadas de inovações sociais. Dois exemplos podem nos clarificar esse ponto. O programa Apollo, da Agência Espacial Americana (NASA), contribuiu com o desenvolvimento da aeronáutica espacial, mas também representou a introdução de um novo modelo gerencial. Outro exemplo mais contemporâneo é o site de relacionamentos Orkut. Este não foi apenas uma nova ferramenta de portais, mas também uma nova forma de comunicação.


Dentro de um novo cenário competitivo ainda amorfo, as fontes de vantagens podem provir de inovações outrora não percebidas: as inovações nas relações sociais. Ao funcionarem como mecanismos de coordenação da ação coletiva, elas funcionam também como mecanismos de distribuição de riqueza e poder. Mas isto já é assunto para um próximo artigo.

Hebbertt F. Soares

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