A hora e a vez da inovação
Meu artigo deste mês foi motivado por três fatos, independentes entre si, mas que acabam mostrando como a preocupação com a inovação está na ordem do dia.
O primeiro deles ocorreu na semana de 16 a 20 de março, quando estive ministrando um curso para os alunos de Administração de Empresas na Ecole Superieure de Commerce de Clermont Ferrand, na França. Conhecida como Groupe ESC Clermont, a referida instituição promove, anualmente, uma Semana Internacional, durante a qual seus alunos não podem ter aulas em francês. Para tanto, a instituição convida professores de diversas partes do mundo para dar cursos sobre temas diversos nessa semana. Este ano, eram 37 professores de 21 países diferentes, discorrendo sobre vários aspectos da administração, tais como finanças, marketing, recursos humanos etc. Chamou-me a atenção o fato de que 13 dos cursos oferecidos, ou seja, mais de 30%, versaram sobre temas que envolviam criatividade, empreendedorismo e inovação. Como considero que a criatividade e o empreendedorismo são atributos pessoais fundamentais para a inovação, assumo que mais de um terço dos cursos ministrados na 13ª Semana Internacional do Groupe ESC Clermont tratou, direta ou indiretamente, do tema “inovação”.
O segundo aconteceu quando percorri algumas das grandes livrarias de São Paulo em busca de um livro que teve grande importância há alguns anos, mas cuja edição original acha-se esgotada, motivo pelo qual o livro em questão – Tudo que é sólido desmancha no ar – só é encontrado em edição de bolso. Para conseguir adquiri-lo, precisei passar por várias livrarias, já que só o encontrei na quinta ou sexta. Mas em todas elas pude ver, em lugar de destaque entre os lançamentos nas prateleiras de administração e negócios o livro Nação Inovadora, de John Kao (Qualitymark, 2009). Seu autor publicou tempos atrás um livro muito interessante, cujo título era Jamming, que analisava como empresas de alto desempenho em todo o mundo aprenderam as lições da criatividade para saltar à frente de seus concorrentes, colocando em prática uma nova mentalidade gerencial e alavancando a tecnologia da informação para aumentar a cooperação criativa. Em Nação Inovadora, John Kao destaca a importância da inovação no mundo atual e aponta na Introdução, com enorme preocupação, o que está acontecendo com os Estados Unidos:
Trata-se de um momento crucial no tempo, talvez um ponto de transformação histórico. Exatamente na hora em que estamos começando a diminuir o ritmo, outros estão acelerando o passo. E, em algum ponto – mais breve do que podemos imaginar – haverá o cruzamento entre as curvas do nosso declínio e da ascensão do restante do planeta. No mundo futuro, muito mais acentuadamente do que no de hoje, a inovação será o motor do progresso, Assim, a menos que mudemos para retificar essa situação sombria, os Estados Unidos não podem sonhar em permanecer como líder. O que está em risco é nada mais do que a prosperidade e a segurança futuras de nossa nação.
O terceiro fato que me relembrou a enorme importância da inovação no ultra competitivo mundo atual foi uma matéria assinada por Rogério Lessa no último número da revista Rumos (Nº 243 – Janeiro - Fevereiro de 2009). A referida matéria, intitulada Na era do conhecimento, Petrópolis acumula capital humano, mostra como o movimento Petrópolis Tecnópolis, lançado em 1999 para articular a criação de um pólo de tecnologia e inovação nessa agradável cidade serrana do Rio de Janeiro, superou seu próprio projeto e se converteu numa ampla e sustentável estratégia de desenvolvimento econômico e social.
Como leitor de Mundo InNova, suponho que o amigo internauta tem grande interesse pelo tema da inovação. Ficam aqui, portanto, duas recomendações: a leitura do último livro de John Kao, e uma visita à região serrana carioca, a fim de conhecer o movimento Petrópolis Tecnópolis e alguns dos notáveis projetos em pleno funcionamento como o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), a Neki Technologies e a Idea Valley.
