Segunda Set 06

Inovação: Desafio cultural para crescer

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O mundo parece ter ficado mais difícil nos últimos meses. A palavra crise vem sendo repetida em alto e bom tom por todos os lados. E vem influenciando as ações atuais das empresas e o planejamento das ações futuras.

Em momentos como este, onde a renda do consumidor tende a permanecer estável ou até mesmo a cair, garantir que o consumidor compre o seu produto e não o do concorrente é cada vez mais desafiador. Mais importante do que nunca é saber o que o consumidor quer, qual sua necessidade, e efetivamente entregar uma resposta a esta necessidade, melhor do que qualquer um outro. Só assim – assim – é possível a uma empresa sobreviver e crescer num cenário competitivo.

Mais do que nunca, portanto, inovar é essencial. Mas Inovação é um daqueles temas que, sem um real comprometimento de toda a organização e uma estratégia definida, acabam virando apenas discurso. Michael Porter define a esquizofrenia das organizações como crucial para a prosperidade econômica: por um lado, as empresas precisam manter a continuidade de suas estratégias, e por outro precisam continuamente melhorar.

Mas é difícil lidar com esta esquizofrenia. O maior paradigma enfrentado pelas organizações com relação à Inovação é o dilema curto versus longo prazo. Ou, em outras palavras, dizer que não há recursos (tempo, pessoas, dinheiro) para investir em desenvolvimento de soluções para amanhã quando há uma pressão enorme para entregar os números de hoje. E isto é um paradigma pois focar-se apenas em buscar os números de hoje pode até trazer os números de hoje, mas definitivamente não garante que a empresa esteja aqui para buscar os números amanhã. É fundamental conseguir equilibrar os dois mundos: inovar hoje (fazer de uma maneira diferente para trazer os resultados de hoje) e investir para continuar inovando (ser capaz de entregar as soluções às necessidades dos consumidores amanhã).

Há 3 pontos importantes a notar: primeiro, Inovação não é só produto (muitos só enxergam Inovação assim!), pode ser também um novo processo interno ou externo, serviço, relacionamento, ou um novo canal de vendas. Segundo, não há receita única para Inovação. Não há fórmula mágica ou receita de bolo que valha para todos. Cada empresa precisa encontrar a sua estratégia. E esta resposta depende sobretudo da cultura da empresa. 

E aí o terceiro e mais importante ponto: Inovação é, acima de tudo, uma questão cultural. Processos, ferramentas e metodologias são importantes, mas no final o que faz a diferença é a atitude inovadora das pessoas da organização. De todas as pessoas.

Na Johnson & Johnson, Inovação é fundamental para crescermos – é algo que deve estar no DNA de todos. Está na forma sistêmica de desenvolver um projeto, da definição do escopo até a implementação de uma solução; está na colaboração e confiança entre os times de trabalho para suportar uns aos outros nos sucessos e fracassos; e está na atitude de cada um em buscar conhecer os consumidores, em criativamente propor soluções. Enfim, está na busca de um amanhã melhor do que o hoje.

Tudo isto parece óbvio, mas nossa experiência mostra que há um abismo entre a teoria e a prática, entre concordar com pelo menos a grande parte do racional exposto acima e o efetivamente fazer acontecer Inovação dentro da empresa.

No próximo mês, comentaremos sobre algumas das ferramentas e ações que temos implementado para cruzar este abismo e fazer da Inovação uma vantagem competitiva na Johnson & Johnson.



Gian Taralli

Gerente de Inovação, Johnson & Johnson

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