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PID: a ideia de 1922 que ainda segura a temperatura das fábricas

Profissional de terno trabalhando em notebook em escritório à noite

Em 1922, o engenheiro Nicolas Minorsky publicou, no periódico da Sociedade Americana de Engenheiros Navais, um artigo sobre a estabilidade de navios com direção automática. O ponto de partida não foi uma fórmula. Foi o timoneiro: segundo Minorsky, um bom timoneiro mantém o navio no rumo porque age no leme no momento certo.

Mais de cem anos depois, a mesma lógica está dentro do controlador de temperatura de uma estufa, de uma extrusora ou de um forno. A história do PID mostra como uma ideia boa pode ficar parada por anos e, depois, virar padrão.

O que você vai ver
  1. Um timoneiro como modelo
  2. Do navio para a fábrica
  3. O que cada letra faz numa estufa
  4. O problema que sobrou: achar os números
  5. O que a inovação não mudou
  6. Perguntas que sempre aparecem
Etapa 1 de 6

Um timoneiro como modelo

Minorsky defendia que governar bem um navio era menos uma questão de intuição e mais de tempo certo, baseado na observação. A partir disso, ele comparou formas de comandar o leme.

O controle que só reage ao desvio de rumo amortece uma perturbação que passou. Mas, como ele escreveu, não elimina o efeito de uma perturbação constante, como um vento firme: sobra um erro. A forma que corrigia também esse erro combinava três ações. Na leitura do historiador S. Bennett, num artigo de 1984 na revista de sistemas de controle do IEEE, é o que hoje se chama de controle proporcional, integral e derivativo: o PID.

O mesmo artigo conta um detalhe curioso. Os testes de Minorsky no encouraçado New Mexico, para a Marinha americana, em 1923, deram certo. Mesmo assim, a direção automática foi retirada e o trabalho parou.

Etapa 2 de 6

Do navio para a fábrica

Bennett lembra que a ação integral e a derivativa já apareciam em reguladores do século XIX. O que mudou nos anos 1930 foi a chegada de controladores de uso geral, com ações ajustáveis, à indústria de processo. Atribui-se a um fabricante de instrumentos americano, em 1936, o primeiro controlador comercial de três termos: a derivativa vinha com valor fixo de fábrica. Em 1939, ela passou a ser ajustável.

Um dado mostra como a inovação anda torta: segundo Bennett, muitos dos autores que analisavam esses controladores não sabiam que Minorsky já tinha estudado o controlador de três termos em 1922.

Etapa 3 de 6

O que cada letra faz numa estufa

O princípio continua o mesmo do leme. O controlador compara a leitura do sensor com o setpoint e calcula a potência, de 0% a 100%:

Segundo o manual da série Plus da West, o PID mantém o processo estável porque ajusta a saída o tempo todo, sem a oscilação do liga-desliga.

Etapa 4 de 6

O problema que sobrou: achar os números

Sobra uma pergunta prática: quais números pôr em P, I e D? O manual da West ainda traz um método à mão: põe-se o controle em liga-desliga, mede-se a oscilação e o período, e as três ações saem de contas simples. A própria West avisa que ele só serve a processo que tolera grandes variações de temperatura.

A inovação dos controladores atuais foi passar essa conta para o aparelho. Quem vai especificar um controlador PID hoje encontra recursos que fazem a sintonia sozinhos:

  1. Pré-sintonia: com o processo frio, o controlador dá potência total até cerca da metade do caminho, corta e calcula o PID antes do setpoint.
  2. Autossintonia: observa uma oscilação completa do erro, na partida, na troca de setpoint ou na mudança de carga, e recalcula os valores.
  3. Easy-Tune: no West N2300, a sintonia é feita sem ação do operador.
  4. Vários jogos de PID: o Pro-EC44 guarda até 5 e troca sozinho conforme a temperatura ou o setpoint, para processos que mudam de comportamento.

Nem sempre a automação é a resposta. A West diz que a autossintonia nem sempre é adequada quando há perturbação artificial frequente, como uma estufa de porta aberta por muito tempo. Aí, vale ficar com o PID da pré-sintonia e ajustar à mão.

Etapa 5 de 6

O que a inovação não mudou

O PID controla, mas não protege. Se o relé de estado sólido entra em curto, nenhum ajuste desliga a resistência. A proteção contra sobretemperatura continua num aparelho separado, com sensor próprio, como o limitador West 6700+.

Etapa 6 de 6

Perguntas que sempre aparecem

O PID foi inventado em 1922? Não exatamente. Ações integral e derivativa já existiam em reguladores do século XIX. Em 1922, Minorsky fez uma das primeiras análises formais do controlador de três termos.

A autossintonia dispensa quem entende do processo? Não. Ela acha os valores, mas alguém precisa decidir quando usá-la, conferir os limites de setpoint e avaliar se o processo tolera a sintonia.

Todo processo usa as três ações? Não. Em válvula modulante, o manual da West manda desligar a derivativa para não desgastar a válvula: é o controle PI.

Em resumo

Um timoneiro como modelo: o essencial

Minorsky defendia que governar bem um navio era menos uma questão de intuição e mais de tempo certo, baseado na observação. A partir disso, ele comparou formas de comandar o leme.

Do navio para a fábrica: o essencial

Bennett lembra que a ação integral e a derivativa já apareciam em reguladores do século XIX. O que mudou nos anos 1930 foi a chegada de controladores de uso geral, com ações ajustáveis, à indústria de processo. Atribui-se a um fabricante de instrumentos americano, em 1936, o primeiro controlador comercial de três termos: a derivativa vinha com valor fixo de fábrica. Em 1939, ela passou a ser ajustável.

O que cada letra faz numa estufa: o essencial

O princípio continua o mesmo do leme. O controlador compara a leitura do sensor com o setpoint e calcula a potência, de 0% a 100%: