Eniac, 80 anos: o computador eletrônico que abriu a era da automação do cálculo

Uma sala inteira ocupada por painéis metálicos, milhares de válvulas acesas, cabos ligados à mão como numa antiga mesa telefônica. Foi assim que o público conheceu o Eniac, apresentado à imprensa em 14 de fevereiro de 1946 na Escola Moore de Engenharia Elétrica da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e dedicado oficialmente no dia seguinte. Oitenta anos depois, completados em fevereiro de 2026, a história do Eniac continua sendo um bom ponto de partida para entender como o cálculo deixou de ser trabalho manual.
Uma máquina nascida da guerra
O nome é a sigla, em inglês, de Integrador e Computador Numérico Eletrônico. O projeto foi financiado pelo Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, com um objetivo bem concreto: acelerar o cálculo das tabelas de tiro de artilharia, que indicavam o ângulo e a carga necessários para acertar um alvo em diferentes condições.
Até então, essas tabelas eram produzidas por equipes de pessoas, em grande parte mulheres, contratadas como "computadoras". Com calculadoras de mesa e muita paciência, cada trajetória podia exigir horas de trabalho. A demanda da guerra superava em muito a capacidade dessas equipes.
Os engenheiros John Mauchly e J. Presper Eckert lideraram a construção, iniciada em 1943. Quando a máquina ficou pronta, a guerra já havia terminado, mas o Eniac rapidamente encontrou outros usos, inclusive em cálculos científicos de grande porte.
De horas para segundos
O Eniac não foi o único esforço de computação eletrônica da época, mas é reconhecido como um dos primeiros computadores eletrônicos de uso geral, ou seja, capaz de ser configurado para resolver problemas de naturezas diferentes.
Os números impressionavam:
- cerca de 18 mil válvulas eletrônicas;
- peso em torno de 30 toneladas;
- capacidade de realizar milhares de somas por segundo.
Na demonstração para a imprensa, a máquina executou em instantes cálculos que exigiriam longas horas de trabalho humano. Uma trajetória de projétil, que exigia muitas horas de trabalho de uma computadora humana, passou a ser calculada em segundos.
A velocidade tinha um preço. As válvulas queimavam com frequência, e a equipe precisava de rotinas cuidadosas de manutenção para manter a máquina em funcionamento.
Programar era mudar cabos
O Eniac não tinha programas armazenados na memória, como os computadores atuais. Para mudar o tipo de cálculo, era preciso reconfigurar fisicamente a máquina: conectar cabos entre unidades, ajustar chaves e planejar a sequência de operações no papel, antes de montá-la no equipamento. Preparar um novo problema podia levar dias.
Essa tarefa coube a um grupo de seis mulheres recrutadas entre as computadoras humanas: Kay McNulty, Betty Jennings, Betty Snyder, Marlyn Wescoff, Frances Bilas e Ruth Lichterman. Sem manuais e sem linguagem de programação, elas estudaram os diagramas da máquina e criaram, na prática, os primeiros métodos de programação do equipamento. Algumas continuaram na área e contribuíram para o desenvolvimento de linguagens e ferramentas nas décadas seguintes.
Apesar disso, nas apresentações públicas de 1946, elas não foram apresentadas como parte da equipe. O reconhecimento veio muitos anos depois, graças a pesquisas históricas e entrevistas que recuperaram seus nomes e seu papel.
O legado do Eniac
O Eniac foi transferido para um campo de provas do Exército em Maryland e operou até meados da década de 1950. Mais do que a máquina em si, ficou o impulso que ela deu à ideia de automatizar o cálculo. Ainda durante sua construção, a equipe discutia um projeto seguinte, em que as instruções ficariam armazenadas na memória, como os dados, conceito que se tornaria a base dos computadores modernos.
A trajetória deixa algumas lições que valem para qualquer inovação:
- Necessidade concreta acelera a invenção. Um problema real, com urgência e financiamento, concentrou talentos e recursos.
- Tecnologia nova exige novas competências. Operar o Eniac demandou habilidades que ainda não existiam formalmente, e quem as desenvolveu foi a equipe que já conhecia o problema.
- O crédito nem sempre acompanha o trabalho. O apagamento das programadoras lembra a importância de reconhecer quem faz a tecnologia funcionar, não só quem a projeta.
- Cada geração prepara a próxima. As limitações do Eniac orientaram o desenho dos computadores que vieram depois.
Perguntas que sempre aparecem
Quando o Eniac foi apresentado ao público? A máquina foi mostrada à imprensa em 14 de fevereiro de 1946 e dedicada oficialmente em 15 de fevereiro, na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
Para que o Eniac foi criado? Para acelerar o cálculo de tabelas de tiro de artilharia do Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial. Depois, foi usado em outros cálculos científicos.
Quem programava o Eniac? Um grupo de seis mulheres, recrutadas entre as computadoras humanas, que configuravam a máquina com cabos e chaves. Seu papel só foi amplamente reconhecido décadas depois.
Em resumo
Uma máquina nascida da guerra: o essencial
O nome é a sigla, em inglês, de Integrador e Computador Numérico Eletrônico. O projeto foi financiado pelo Exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, com um objetivo bem concreto: acelerar o cálculo das tabelas de tiro de artilharia, que indicavam o ângulo e a carga necessários para acertar um alvo em diferentes condições.
De horas para segundos: o essencial
O Eniac não foi o único esforço de computação eletrônica da época, mas é reconhecido como um dos primeiros computadores eletrônicos de uso geral, ou seja, capaz de ser configurado para resolver problemas de naturezas diferentes.
Programar era mudar cabos: o essencial
O Eniac não tinha programas armazenados na memória, como os computadores atuais. Para mudar o tipo de cálculo, era preciso reconfigurar fisicamente a máquina: conectar cabos entre unidades, ajustar chaves e planejar a sequência de operações no papel, antes de montá-la no equipamento. Preparar um novo problema podia levar dias.